Adoçante é melhor que açúcar? Entenda as diferenças 

Cofundador da Color Andina Foods
Açúcar refinado e adoçante natural enfileirados sobre uma mesa
Sumário

Adoçante é melhor que açúcar em algumas situações, especialmente quando o objetivo é reduzir açúcares livres, calorias ou o impacto sobre a glicemia. Isso não significa, porém, que todo adoçante seja automaticamente saudável ou que a troca, sozinha, produza emagrecimento. A escolha depende do tipo de produto, da quantidade consumida e do restante da alimentação.

Açúcar e adoçante cumprem a mesma função de fornecer sabor doce, mas se comportam de maneiras diferentes no organismo e também nas receitas.

A seguir, você entende a diferença entre açúcar e adoçante, conhece as principais opções e confere os cuidados importantes antes de fazer a substituição.

Açúcar ou adoçante: qual a diferença na prática?

A principal diferença está na composição e na quantidade necessária para adoçar. O açúcar de mesa é formado principalmente por sacarose e fornece cerca de 4 calorias por grama.

Já os adoçantes variam bastante. Glicosídeos de esteviol e taumatina apresentam dulçor muito superior ao açúcar e, por isso, são utilizados em quantidades pequenas. O eritritol tem poder adoçante menor e costuma ser usado em volumes maiores.

A diferença também aparece na glicemia. O açúcar fornece carboidratos que elevam a glicose no sangue, enquanto stévia e eritritol apresentam impacto glicêmico muito baixo nas quantidades normalmente utilizadas.

Isso pode tornar o adoçante útil para quem precisa reduzir açúcares ou controlar a resposta glicêmica. Não significa, entretanto, que ele seja automaticamente superior em qualquer situação.

Para controle de peso no longo prazo, a OMS (Organização Mundial da Saúde) orienta que a substituição do açúcar por adoçantes não açucarados não seja tratada como estratégia isolada de emagrecimento.

Por que trocar o açúcar pelo adoçante?

Reduzir o consumo de açúcar pode ser interessante principalmente quando ele aparece em excesso na alimentação.

O açúcar adicionado aumenta a quantidade de açúcares livres e de calorias da dieta. Seu consumo elevado está associado a problemas como ganho de peso e maior risco de cárie.

Substituir parte dele por um adoçante pode reduzir a ingestão de açúcar e facilitar o controle da glicemia em situações específicas.

A vantagem depende do contexto. Trocar o açúcar sem modificar o restante da alimentação não transforma automaticamente uma dieta desequilibrada em saudável.

Também é importante respeitar a quantidade indicada para cada produto. Os edulcorantes autorizados passam por avaliação de segurança e possuem condições específicas de uso estabelecidas pelas autoridades sanitárias.

Tipos de adoçante que podem substituir o açúcar

Existem diferentes tipos de adoçante, com origens, poder de dulçor e aplicações distintas. Entre as alternativas usadas no dia a dia estão a stévia, a taumatina e o eritritol.

Não existe uma opção universalmente melhor. A escolha depende do objetivo, do paladar e da forma de uso.

Linha de adoçantes naturais enfileirados

Stévia: a estrela da alimentação saudável 

A stévia é obtida da Stevia rebaudiana, planta nativa da América do Sul. Seus glicosídeos de esteviol apresentam poder adoçante aproximadamente 200 a 300 vezes maior que o açúcar.

Como a quantidade necessária é muito pequena, sua contribuição calórica por porção é praticamente nula e não provoca aumento relevante da glicemia.

Ela pode ser utilizada em bebidas e diferentes preparações. Formulações de boa qualidade também podem reduzir ou eliminar o retrogosto amargo frequentemente associado à stévia.

Taumatina: o adoçante proteico 

A taumatina é uma proteína extraída do fruto da Thaumatococcus daniellii. Seu poder adoçante pode chegar a aproximadamente 2.000 a 3.000 vezes o do açúcar.

Como é utilizada em quantidades muito pequenas, sua contribuição energética na prática é mínima. Além de adoçar, também pode atuar como realçador de sabor.

Diferentemente do que algumas explicações sugerem, a taumatina não atravessa o organismo intacta: ela é uma proteína e é digerida como tal.

Eritritol: próximo ao açúcar, mas saudável 

O eritritol é um poliol encontrado naturalmente em pequenas quantidades em alguns alimentos e também produzido por fermentação para uso industrial.

Seu poder adoçante corresponde a aproximadamente 60% a 80% do açúcar, por isso ele é utilizado em quantidade maior que stévia e taumatina.

Tem baixo impacto sobre a glicemia e pode contribuir com volume e textura nas receitas. Em quantidades elevadas, entretanto, pode provocar desconforto gastrointestinal e efeito laxativo.

 

Adoçante faz mal à saúde? O que dizem OMS e Anvisa

A resposta depende do tipo de adoçante, da quantidade e do contexto de consumo. Os edulcorantes utilizados no Brasil precisam atender às regras e aos limites estabelecidos pela Anvisa.

Cada substância possui critérios próprios de segurança. Entre eles está a Ingestão Diária Aceitável (IDA), quantidade que pode ser consumida diariamente ao longo da vida sem risco apreciável à saúde.

Isso não significa que qualquer quantidade seja recomendável. Dados reunidos pela Anvisa mostram que, embora o consumo médio brasileiro geralmente fique abaixo dos limites, determinados cenários de alto consumo podem ultrapassar a IDA de alguns edulcorantes.

No caso dos glicosídeos de esteviol, por exemplo, estimativas conservadoras encontraram consumo acima da IDA entre alguns grupos de altos consumidores. Por isso, mais não significa melhor.

A OMS também recomenda cautela ao usar adoçantes não açucarados como estratégia de emagrecimento. A análise não demonstrou benefício duradouro para redução de gordura corporal apenas com essa substituição.

Essa recomendação não é uma conclusão de que os adoçantes autorizados sejam tóxicos. A própria OMS esclarece que a diretriz não substitui as avaliações toxicológicas e os limites de segurança definidos pelos órgãos competentes.

 

O que observar antes de trocar o açúcar pelo adoçante?

O primeiro passo é ler o rótulo. A composição varia bastante entre produtos, principalmente nos adoçantes em pó, que podem trazer outros ingredientes para dar volume à formulação.

Nas receitas, lembre que o açúcar não serve apenas para adoçar. Ele também interfere em volume, umidade, textura, caramelização e cor.

Por isso, adoçantes muito concentrados nem sempre substituem o açúcar na proporção de colher por colher. Para forno e fogão, versões desenvolvidas especificamente para uso culinário costumam facilitar o resultado.

A tolerância individual também importa. Polióis, como eritritol, podem provocar desconforto digestivo quando consumidos em grandes quantidades.

Para crianças pequenas, a orientação é ainda mais cuidadosa. O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos recomenda evitar alimentos ultraprocessados e destaca adoçantes entre os aditivos presentes nesses produtos.

Em condições de saúde específicas ou durante acompanhamento nutricional e médico, a escolha deve considerar a orientação individual.

Adoçante e hipotireoidismo

Não existe um adoçante universalmente indicado para quem tem hipotireoidismo. A escolha deve considerar a alimentação como um todo, o tratamento realizado e a orientação do profissional que acompanha o caso.

Também não há base suficiente para atribuir a stévia, taumatina ou eritritol um efeito específico de melhora ou piora da função tireoidiana nas condições normais de consumo.

Guia prático: como usar cada adoçante nas receitas

Aplicação  Stévia  Taumatina  Eritritol 
Poder adoçante  200 a 300 vezes mais doce que o açúcar 2.000 a 3.000 vezes mais doce que o açúcar 60% a 80% da doçura do açúcar
Bebidas quentes  Resiste bem ao calor e mantém suas propriedades.  Indicada, mas em doses mínimas.  Ótimo por apresentar alta solubilidade. 
Sucos e bebidas frias  Funciona muito bem, mantendo o sabor natural das frutas.  Excelente para bebidas leves e refrescos.  Recomendado para smoothies, vitaminas e bebidas frias. 
Doces de panela e geleias  Pode ser usada em caldas e molhos culinários.  Atua como realçador de sabor em diversas preparações.  Ideal para geleias e recheios que exigem estrutura. 
Receitas assadas  Muito resistente ao calor; indicada para bolos e biscoitos.  Não é a melhor opção como único adoçante em massas assadas, pois o calor pode reduzir seu dulçor. Indicado por dar volume e textura muito similares ao açúcar. 
Retrogosto  Formulações de boa qualidade podem apresentar pouco ou nenhum retrogosto amargo. Dulçor persistente, que pode permanecer por mais tempo no paladar. Pode deixar uma leve sensação refrescante na boca.

 

Afinal, adoçante é melhor que açúcar?

Depende do objetivo. Para reduzir o consumo de açúcar, diminuir a ingestão calórica de determinadas preparações ou controlar melhor a glicemia, o adoçante pode ser uma ferramenta útil.

Isso não transforma a substituição em solução isolada para emagrecimento ou saúde. O resultado depende do conjunto da alimentação, da quantidade consumida e do produto escolhido.

Na prática, vale observar o rótulo, respeitar as quantidades recomendadas e escolher a apresentação adequada para cada uso.

FAQ: adoçantes x açúcar 

Adoçante é melhor que açúcar para a saúde? 

Em algumas situações, sim. Adoçantes podem ajudar a reduzir açúcares e o impacto sobre a glicemia. Isso não significa que sejam necessários para todas as pessoas nem que provoquem emagrecimento sozinhos. A OMS recomenda não utilizar adoçantes não açucarados como estratégia isolada de controle de peso no longo prazo.

Qual é o adoçante mais saudável para substituir o açúcar? 

Não existe um vencedor universal. Stévia, taumatina e eritritol apresentam características diferentes de dulçor, textura e aplicação. A escolha depende do objetivo, da quantidade utilizada, da tolerância individual e da receita. O mais importante é utilizar produtos regularizados e respeitar as orientações de consumo apresentadas no rótulo.

Quem tem diabetes pode usar adoçante sem restrições? 

Sem restrições, não. Adoçantes podem ser úteis para reduzir o consumo de açúcar e controlar o impacto glicêmico, mas a quantidade e o produto devem integrar o planejamento alimentar individual. A diretriz da OMS sobre adoçantes para controle de peso não inclui pessoas com diabetes preexistente.

Adoçantes naturais podem ser usados em receitas? 

Sim, mas a substituição nem sempre é feita na mesma proporção do açúcar. Adoçantes intensos fornecem dulçor em quantidades muito pequenas e não repõem volume, textura ou caramelização. Por isso, receitas de forno e fogão podem exigir formulações culinárias desenvolvidas especificamente para esse tipo de preparação.

Posso usar adoçante todos os dias? 

Adoçantes autorizados podem ser consumidos dentro dos limites e condições de uso estabelecidos para cada substância. A Ingestão Diária Aceitável varia conforme o composto e o peso corporal. Isso não significa que seja necessário atingir esse limite: a quantidade deve ser apenas a suficiente para o objetivo desejado.

Adoçante engorda?

O adoçante não provoca ganho de peso simplesmente por adoçar um alimento. Entretanto, trocar açúcar por adoçante também não garante emagrecimento. A OMS concluiu que essa substituição isolada não apresenta benefício consistente de longo prazo para redução de gordura corporal. O resultado depende do conjunto da alimentação e do consumo energético.

Qual a quantidade máxima de adoçante por dia?

Não existe um número único, porque cada substância possui parâmetros próprios de segurança e a Ingestão Diária Aceitável costuma ser calculada por quilo de peso corporal. Além disso, a quantidade presente em cada produto varia. Por isso, é importante seguir o rótulo e evitar consumo excessivo.

Crianças podem consumir adoçante?

Crianças pequenas não devem ser estimuladas a consumir alimentos excessivamente doces. O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos recomenda evitar ultraprocessados e destaca adoçantes entre os aditivos presentes nesses produtos. Em situações específicas, a alimentação infantil deve ser definida com orientação profissional.

Referências

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Documento de base sobre edulcorantes. Brasília, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2024/DocumentodeBasesobreEdulcorantes.pdf

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Use of non-sugar sweeteners: WHO guideline. Geneva: World Health Organization, 2023. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240073616

EUROPEAN FOOD SAFETY AUTHORITY (EFSA). Re-evaluation of erythritol (E 968) as a food additive. 20 dez. 2023. Disponível em: https://www.efsa.europa.eu/en/plain-language-summary/re-evaluation-erythritol-e-968-food-additive

JOINT FAO/WHO EXPERT COMMITTEE ON FOOD ADDITIVES (JECFA). Steviol glycosides. WHO Food Additives Database. Disponível em: https://apps.who.int/food-additives-contaminants-jecfa-database/Home/Chemical/267

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília: Ministério da Saúde, 2019. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_criancas_brasileiras_menores_2anos.pdf 

EUROPEAN FOOD SAFETY AUTHORITY (EFSA). Re-evaluation of thaumatin (E 957) as food additive. EFSA Journal, v. 19, n. 11, e06884, 2021. Disponível em: https://efsa.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.2903/j.efsa.2021.6884.

Cofundador da Color Andina Foods

Gustavo Almeida é cofundador da Color Andina Foods, administrador formado pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e um profissional multidisciplinar com mais de 30 anos de experiência. Ao longo da carreira, viveu e trabalhou em países como Estados Unidos, Colômbia, Chile, Peru e Bolívia, adquirindo uma experiência que ampliou sua visão sobre diferentes culturas e sistemas produtivos.

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